blog do severo
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Rango nas Alturas
Categories: Diário

Refeição no avião é algo que eu particularmente aprecio, mas hoje a coisa foi “special”! até porque me propus um desafio premeditado. Estas linhas estou escrevendo depois do ocorrido… Vamos ao ocorrido então: 5 minutos após da decolagem de Guarulhos rumo a Nova Iorque, eis que vem o esperado carrinho da ração noturna do voo. Isso já me deixa ansioso… eu lembro do kinder ovo da minha infância. O que tem dentro daqueles misteriosos mini-contêiners? A aeromoça (chamo assim por que sou das antigas) vem sempre com a mesma pergunta em inglês, por que tenho cara de gringo: – Pasta, Chicken or Meat – [ Ué chicken não é feito de “meat”? ] E quase sempre eu respondo: – Pasta! [ é menos perigoso ] Pronto, aí começa a gincana no circo voador… Ela coloca a bandeja com seus kinder-potinhos na mesinha e eu, um ser desajeitado, começo a abrir para ver o conteúdo suculento… Wow! Hoje tem “macarroni a tricolori”, só que veio uma espécie de perereca verde deitada sobre a minha macarronada… hummm… é uma verdura meio desbotada… melhor afastar o batráquio para o lado…

Blend a moda da casa

La Perereca

Tem cheesecake também, e o indefectível pão no micro-ondas, sem falar na manteiga impossível de abrir… Cadê os talheres? Já estava embaixo de um kinder-tampa-de-pote. Beleza, a merda da mesinha já estava uma bagunça e eu tentando tirar uma foto da rã deitada na macarronada. A gringa do lado (fila de poltronas centrais) já achava muito estranho a sessão fotográfica. Só dei um sorriso e tirei mais umas fotos. Gosto de fazer uma certa alquimia dos ingredientes que vem na kinder-bandeja, por exemplo, fica muito bom colocar o molho (99% das vezes caesar) na pasta, misturar e depois comer… Não conte a ninguém, no próximo voo, faça… Não precisa falar depois também Garanto, é bom!

Blend a moda da casa

Depois de uns quinze minutos, e quase já acabada a refeição chega o carrinho das bebidas… – O que o Sr. Deseja para beber? – [ O seu sangue! ] Quase sempre eu peço: – Um suco de laranja, por favor. Mas desta vez resolvi inovar e me superar no malabarismo da refeição. – Ah, e mais um copo de água também… Pronto, quebrei um padrão mental da aeromoça… Ela me fitou por uns 3 segundos, e depois olhou para a mesinha que não cabia nem mais um palito de dente. Afastei a kinder-bandeja da rã, com mararrão tricolore ao molho da salada, coloquei o pão, já em estado de pedra sobre a rã-verdura e ohei para os dois únicos pontos visíveis da mesa. .. A mulher “encaixou” os copos ali, ainda meio pertubada pela mudança da “cor da grama” e seguiu rapidinho corredor abaixo… Deve ter pensado, deixa eu sair daqui que o próximo pedido vai ser uma perna de cabrito assada. Hahaha! Para por na mesinha! Olhei para a mesa, e realmente estava difícil, um quebra-cabeça complexo… Foi aí que o ser do meu lado resmungou: – Sr…. O senhor me dá licença…. Xi, a mocinha estava com uma cólica intestinal e fazia cara de pânico. Pois é, eu já havia notado antes do avião decolar que ela fez algumas vezes aqueles movimentos de pêndulo, ajeitando as nádegas para dar uma peidola. É o urubu que estava faminto e já se preparava pra comer a calcinha dela… Comecei a transportar todos os kinder-objetos da minha mesa para a poltrona vaga da fila do meio do avião… Sempre monitorando a feição da moçoila, para ver se não passava de “o urubu esta rebelde” para “ih, ele se libertou”… Dizendo sempre palavras tranquilizadoras que acho que ela nem ouvia. – Calma, está acababando… – Opa, só falta mais esta – [ faltava uns três kinder-potes e o suco de laranja. ] A posição era, da esquerda para direita do avião: a janelinha, a urubu-girl, eu em frente da mesinha caótica, o corredor, a poltrona-repositório, e a gringa observando tudo isso aparentando um certo desconforto. A moça acho que já não aguentava mais contrair o esfíncter quase me empurrou no meio do último carregamento de kinder-things para a poltrona do lado. Saiu andando igual um pinguim para o banheiro com o urubu descontrolado gritando por liberdade. Foi quando eu percebi que a Gringa estava olhando muito para mim… Catso, eu derrubei o cheesecake de fuckingberry no braço da poltrona dela. Juro que falei isso em um impulso: – Ooooppsss! The cheesecake wasn’t really good, hehehe :-) Comecei a recolher a porra do bolo com um guardanapo usado, só que o creme estava invadindo o botão que abaixa o encosto da poltrona dela… Xiiii. Mas era tudo que eu podia fazer…. Cadê a aeromoça do cacete!? Acho que fugiu… Distancia dete povo!!! Eu não ganho para isso! Chega a moça do pássaro de volta do banheiro… Pálida… PÁLIDA! Oooooopa, abro alas e apuro o olfato para ver se o urubu foi devidamente desalojado sem sequelas. Hahaha! Nisso ela senta, encosta na janela, e seguimos assim até o final do voo, a moça do intestino sem olhar para mim e eu sem olhar para a gringa… Todos na mesma fileira de poltronas… Aeromoça: – O Sr. Aceita um café? – Não. [ texto escrito a 10km. de altura, antes, durante e após o relatado no iPhone ]

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